A determinação do toque de recolher para adolescentes em três cidades do interior de São Paulo tem dividido a opinião de pais e adolescentes. Normalmente, pais apóiam a medida, e os jovens acham a medida exagerada. A imposição serviu também para levantar uma outra questão: como e quais limites impor aos adolescentes.
Todos os pais de menores de 18 anos conhecem bem as desculpas para chegar mais tarde. “Ficar conversando com os amigos. Acaba desligando um pouco da situação. Você fica entretido e acaba esquecendo do horário”, justifica Sergio Fonseca, de 13 anos.
Mas quem deve cobrar o horário de chegar em casa? Em um encontro em uma escola de São Paulo, as famílias discutem se o toque de recolher que vale em Ilha Solteira, e 660 km da capital paulista, Itapura, a 677 km, e Fernandópolis, a 553 km, funcionaria para resolver os problemas na casa deles.
“Eu acho que não tem que ter toque de recolher. Isso não vai resolver o problema. Problema a gente resolve em casa”, diz a representante de vendas Eliane Marques Faquin. “Acho que a aplicação seria um início de conscientização. As pessoas vão começar a se conscientizar do porque disso”, completa a fisioterapeuta Andrea Fonseca.
Para outra mãe, a medida deveria ser primeiramente testada. “Poderia ser por um tempo determinado. Devia ser um teste por um período, para ver como os adolescentes vão reagir, como as famílias vão reagir”, diz a psicóloga Karin Parra.
Especialistas
Há quem interprete a medida como um gesto de proteção. Outros a classificam como um ato autoritário contra crianças e adolescentes. Para o jurista Dalmo Dallari, do Conselho Nacional dos Direitos Humanos, a determinação preserva crianças e adolescentes das más influências.
“Achei que isso, na verdade, fazia falta. Todos os dias temos notícias do envolvimento de crianças com drogas, menores usados como traficantes. Essas medidas não impedem a criança e o adolescente de saírem a rua à noite. Pode ficar até de madrugada. O que estabelece é que não podem ficar sozinhos”, comenta o jurista.
O representante do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Ariel de Castro Alves, acredita que a medida restringe a liberdade: “O Poder Judiciário, nem mesmo o Conselho Tutelar, pode substituir as famílias. Quem tem que estabelecer os limites são os pais. Esse toque de recolher tem um tom de criminalização e de perseguição a crianças e adolescentes e se emprega à polícia, que certamente não é capacitada e preparada para esse tipo de abordagem”.
“Pode ser positiva se ela gerar um movimento educativo e gerar discussão na cidade. E é negativo se ficar só no esquema autoritário, que pode gerar outros movimentos de criminalidade na cidade. Acho que falta conversa nas famílias”, comenta a psicopedagoga Georgia Vassimon.
Viewed 1272 times so far.





